Considere o seguinte:
2 Timóteo 2:16-18 -
Evite as conversas inúteis e profanas, pois os que se dão a isso prosseguem
cada vez mais para a impiedade. O ensino deles alastra como câncer; entre eles
estão Himeneu e Fileto. Estes se desviaram da verdade, dizendo que a
ressurreição já aconteceu, e assim a alguns pervertem a fé.
Paulo expõe a falsa doutrina de Himeneu e Fileto, que estava pervertendo
a fé de alguns, ensinando que a ressurreição já tinha acontecido. Esta é a mesma
acusação que nós preteristas sofremos por afirmar que a ressurreição já
aconteceu. Porém iremos analisar isso mais profundamente e veremos que não
passa de uma falsa acusação. Vamos refutar o argumento com um raciocínio
simples.
Se a igreja do primeiro
século acreditava que a volta Cristo seria física com corpos ressuscitando
literalmente (saindo das sepulturas literais) como muitos hoje pensam e esperam,
como então seria possível que alguns daqueles primeiros cristãos terem sua fé
pervertida com o ensino de Himeneu e Fileto? Tudo o que eles tinham que fazer
era olhar em sua volta e perguntar, o que mudou? Fisicamente nada tinha mudado.
Em outras palavras, se a ressurreição era para ser um evento físico, seria
evidente que os corpos "fisicamente ressurretos" seriam alterados, um
novo mundo refeito se apresentaria diante dos seus olhos, com as pessoas se
levantado de túmulos que ficariam abertos, e não haveria mais morte física. No
entanto, não há registro de que tais coisas ocorreram.
Obviamente, os crentes
do primeiro século tinham um conceito e crença sobre a natureza da
ressurreição, que é muito diferente do ensino popular de hoje. Os crentes do
primeiro século, primeiros frutos [Tiago 1:18], entenderam que o reino de Deus
não veio com a aparência externa [Lucas 17:20], na verdade, o Seu reino não era
do mundo carnal, físico [João 18:36] - por isto a carne e sangue (o natural)
não podem entrar nele [1 Coríntios 15:50]. No reino espiritual entra-se apenas
através do renascimento espiritual (novo nascimento) - não olhando para o
visível, mas para o invisível [2 Coríntios 4:18]. No entanto, esta confusão
sobre a natureza das coisas celestiais não é nada novo, até mesmo o pensamento
literal de Nicodemos não conseguia entender como era possível nascer de novo
[João 3:9-12].
Paulo não põe em causa
o conceito ou crença (natureza) a respeito da ressurreição que Himeneu e Fileto
ensinavam, mas ele faz isso quanto ao tempo. Himeneu e Fileto estavam causando
muitos problemas, porquanto estavam pregando uma ressurreição antes da volta de
Cristo, enquanto a obra da reconciliação ainda estava incompleta. O escritor de
Hebreus declara:
Hebreus 9:8 - Dando nisto a entender o Espírito Santo que
ainda o caminho do santuário não estava descoberto enquanto se conservava em pé
o primeiro tabernáculo, enquanto o templo se conservava em pé, a reconciliação
ainda não estava completa; a volta de Cristo (e por consequência a
ressurreição) não tinha ocorrido.
A segunda vinda, a
ressurreição, o julgamento, e a consumação ou plenitude do reino são todos os
eventos simultâneos [2 Timóteo 4:1; Mateus 16:27-28].
Para a ressurreição ter ocorrido no tempo ensinado por Himeneu
e Fileto seria necessário que o primeiro tabernáculo já estivesse derrubado,
assim como todos os vestígios da Antiga Aliança, todas as coisas tipificadas no
Antigo Testamento - o Templo, o sacerdócio, os sacrifícios, a adoração e etc.
Paulo estava combatendo a crença de que a ressurreição havia ocorrido mesmo com
o templo estando em pé, junto com os elementos da Antiga Aliança.
Hoje com a queda do
templo e por consequência, com a queda da Antiga Aliança podemos afirmar com
toda a certeza que a ressurreição já ocorreu e a obra redentora foi finalizada!
O que nos resta agora? Alguém pergunta: a resposta é simples e direta – “a vida
eterna”!

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